Uma hora dessas eu me peguei olhando fixamente para um espelho, mas lá eu não conseguia ver meu reflexo, quer dizer via sim, só que eu não era ‘aquela’ que eu acreditava ser. Lá estava, uma menina, sempre com um sorriso nos lábios, só que com uma enorme tristeza dentro de si, que dava pra se perceber olhando em seus olhos. Lá estava, uma menina com grandes dores, mas que ainda insistia em deixá-las de lado, e confrontar os problemas dos outros. Lá estava, um menina que gostava de muita gente, mas que nunca recebia esse sentimento de volta. Lá estava, uma menina que acreditava no amor, até demais se vocês querem saber, mas que não conseguia entregar mais o seu coração, devido a todos os alarmes falsos que a vida pôs em seu caminho. Lá estava, eu, toda orgulhosa, pensando estar imune ao amor, mesmo que secretamente só estivesse esperando ser salva pelo seu cavaleiro de armadura reluzente. Lá estava eu, fria demais, boba demais, chata demais, desacreditada demais, feliz demais, bem demais, mentirosa demais. — Laura Gabriela
“Os primeiros dias são terríveis. Terríveis testes de auto-controle. Dá vontade de ligar, mandar mensagem, cartão postal, sinal de fumaça. Só pra saber se tá bem, se comeu direitinho e tomou o remédio. Saudade, saudade, saudade. Maldita falta de costume da ausência.”
“Saudade é não querer saber. Não querer saber se ela está com outro, se ela está feliz, se ele está mais magra, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.”
“— Oi.
— Oi.
— Gostei do teu cabelo.
— Amei tua barba.
— Teu sorriso não é dos piores.
— Nem o teu.
— Tua voz é… Mansinha.
— Teu olho é claro?
— Mais que o teu, disso tenho certeza.
— Mas os meus são pretos.
— E os meus azuis.
— Teus braços passam segurança.
— E teus seios conforto.
— Gay. — Gorda.
— Pegou pesado…
— Eu sempre pego.
— Percebi.
— Já te amei.
— Também já gostei um pouco de ti.
— Ainda te amo.
— Tu é agradável.
— To dizendo que te amo.
— E eu que amo chocolate.
— Eu repeti que te amo.
— E eu vou repetir que amo chocolate.
— Chocolate engorda. — E o teu amor machuca.”
“Escrever sobre você de novo? De novo? Tenho até vergonha. Nem eu suporto mais gostar de você. E olha que nem gosto. E no meio da noite, quando eu decido que estou ótima afinal de contas tenho uma vida incrível e nem amava mesmo você, eu me lembro de umas coisas de mil anos e começo a amar você de um jeito que, infelizmente, não se parece em nada com pouco amor e não se parece em nada com algo prestes a acabar.”
“Não precisava ser assim. Não precisava doer como dói. Eu não podia apenas sorrir quando me lembrasse de você? Mas acontece tipo assim: lembro do seu rosto, do seu abraço, do seu cheiro, do seu olhar, do seu beijo e começo a sorrir, é assim mesmo, automático, como se tivesse uma parte do meu cérebro que me fizesse por um instante a pessoa mais feliz do mundo. Eu sei, é lindo. Mas logo em seguida, quando penso em quão longe você está sinto-me despedaçar por inteiro. E dói.”
Se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhões e milhões de estrelas, isso basta para que seja feliz quando a contempla. Ele pensa: “A minha flor está lá, em algum lugar…” Mas se o carneiro come a flor, é para ele, bruscamente, como se todas as estrelas se apagassem!